Após dificuldades nos primeiros jogos, Gustavo Henrique revela pedido de ajuda a Jorge Jesus

Zagueiro conta que ficou confuso com o sistema defensivo. Ele compara trabalho com o de Sampaolli e elogia o português: "Mais ofensivo, mais vertical, agressivo em cima dos adversários"

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Um dos contratados do Flamengo para esta temporada, Gustavo Henrique chegou ao clube e logo ganhou espaço entre os titulares. Mas seus primeiros jogos não foram fáceis. Em um sistema defensivo novo, teve dificuldades de posicionamento e na saída de bola. Reconheceu ao técnico Jorge Jesus que estava confuso e pediu ajuda.

Gustavo Henrique e sua tatuagem em homenagem ao filho — Foto: Fred Huber

Agora, ele acredita que está bem melhor preparado para ter um bom desempenho. Nesta quarta-feira, diante da ausência de Rodrigo Caio, machucado, ele fará dupla com Léo Pereira na estreia do Flamengo na Libertadores, contra o Junior Barranquilla, na Colômbia.

– Eu tinha muitas dúvidas sobre essa linha de 4 que ele exige. Nossa linha é sempre muito alta, é preciso estar atento ao companheiro, ao espaço dado ao atacante para fazer o “facão”. Fui perguntando, tirando dúvidas… aí ele foi corrigindo. Agora tenho uma visão mais ampla – disse o zagueiro, de 1,96m.

Antes de ser contratado pelo Flamengo, Gustavo Henrique defendeu os Santos por 13 anos. Na última temporada, teve a chance de trabalhar com o argentino Jorge Sampaolli. Na comparação com Jorge Jesus, ele disse que o português tem um estilo mais voltado para o ataque.

– O Jesus é mais ofensivo, mais vertical, agressivo em cima dos adversários. No Santos, era mais posse de bola trazendo o adversário para tentar sair jogando – disse.

Confira a entrevista com Gustavo Henrique:

GloboEsporte.com: O que você acredita que tenha chamado atenção no Flamengo para contratá-lo?

Gustavo Henrique: Acredito que a coragem para sair jogando, o jogo aéreo… O Flamengo sempre teve zagueiros altos, acho que é um ponto forte que ele (Jorge Jesus) pode ter exigido. E pela temporada inteira que eu fiz, foi uma das melhores da minha carreira. Chamei atenção do Flamengo.

Vê semelhanças entre o estilo de jogo do Santos do Sampaolli e o Flamengo do Jorge Jesus?

Muito poucas. Os treinadores são diferentes. O Jesus é mais ofensivo, mais vertical, agressivo em cima dos adversários. No Santos, era mais posse de bola trazendo o adversário para tentar sair jogando, e muitas vezes com o goleiro, coisa que o Jorge Jesus às vezes não gosta que a gente faça. Sempre tentamos fazer o que ele pede.

Gustavo Henrique durante treino do Flamengo em Barranquilla — Foto: Alexandre Vidal/Flamengo

O posicionamento é um pouco parecido, assim como a formação tática, mas tem muito poucas coisas para comparar um ao outro.

No último ano você, pelo Santos, participou de uma das quatro derrotas do Flamengo com Jorge Jesus…

Acho que o foco do Flamengo já estava no Mundial, e o Santos entrou com muita vontade de conquistar o segundo lugar, com sangue no olho. Eu era do Santos e estava em negociação com Flamengo, mas meu foco também era conquistar o segundo lugar. Conseguimos. Fizemos um grande jogo.

Em 2019 se falou muito sobre os técnicos estrangeiros. Como foi a sua experiência com o Sampaolli? O que contribuiu para sua carreira? Agora você tem a chance de trabalhar com o Jorge Jesus. A metodologia dos gringos é diferente?

Eu evoluí muito até em disciplina. Chegar no horário, fazer as refeições juntos… Acho que cresci muito dentro de campo também. Foi minha melhor temporada no Santos, e isso chamou atenção do Flamengo. Acho que a cabeça do europeu está mais evoluída, no meu ponto de vista. Não à toa os dos estrangeiros ficaram em primeiro e segundo lugares.

Os dois são muito exigentes nos treinamentos. Se precisar xingar, eles xingam. Dão apoio quando precisam, mas criticam quando precisa. Nisso vejo semelhança neles.

Acredita que os técnicos brasileiros são mais paternalistas do que os estrangeiros?

Acho que os estrangeiros são mais fechados. Os brasileiros, assim como o povo, são mais extrovertidos, gostam de conversar mais. Os estrangeiros são mais exigentes, cobram bastante o posicionamento, falam se você estiver fazendo algo errado. O brasileiro tem mais paciência. Mas também já peguei alguns que cobram bastante. Mas aí a parte tática influencia também.

Na última temporada você fez cinco gols de cabeça. O que está faltando para sair o primeiro pelo Flamengo?

Quase saiu… contra o Resende. Eu procuro levar com naturalidade, porque costumo fazer no momento certo. Na hora certa vai sair. Claro que me cobro para que isso aconteça, embora minha função principal seja defender.

Essa boa quantidade de jogos neste início de temporada chega a te surpreender?

Eu não esperava jogar tanto, mas as oportunidades foram aparecendo. Tenho que ter tranquilidade para fazer meu trabalho, assim como foi no Santos. Minha cabeça estava focada nisso. Claro que existe a adaptação ao trabalho do treinador, dos novos companheiros… Isso acaba às vezes atrapalhando. Mas agora, um mês depois, me sinto muito mais confiante e entrosado.

O Jorge cobra muito a linha defensiva, e, assim como o Léo Pereira, estou me adaptando aos poucos. Estamos conversando muito para acertar.

A amizade com o Gabigol foi importante para você na chegada e na adaptação?

Quando o Marcos (Braz) me ligou, fiquei muito feliz. Em seguida já foi pedir informação ao Gabriel sobre o clube, sobre a cidade… ele disse que eu poderia vir de olhos fechados, que isso aqui era de outro mundo. Flamengo, né… gigante. Uma das maiores e mais fanáticas do mundo. Não pensei duas vezes.

O Flamengo vai defender o título da Libertadores. Como está a preparação do time para iniciar a disputa dessa competição?

A preparação está muito boa. Foi importante manter uma base vencedora do ano passado. Os jogadores já se conhecem, e quem chegou agora tenta se entrosar o mais rápido possível. Essa primeira fase será bastante difícil, com grandes times na nossa chave. Mas estamos preparados.

O que já deu para conhecer do Junior Barranquilla?

Assim como o Del Valle, gosta bastante de tocar a bola. Há dois anos chegaram fortes na Sul-Americana. É bastante qualificado, assim como o Barcelona-EQU, que até eliminou o Santos nas quartas de final da Libertadores. São equipes tradicionais, precisamos estar muito concentrados para fazermos grandes jogos.

O que torna a Libertadores uma competição especial e tão difícil?

Acho que a qualidade das equipes, as melhores de cada país. Tem pressão da torcida… é especial para nós, muito difícil. Acho que somos um dos favoritos, se demonstrarmos dentro de campo. Realmente é um campeonato diferente.

O Flamengo está em outro patamar também fora do Brasil?

Acho que sim. Pela estrutura, torcida… Vemos isso no Carioca. São quase 70 mil pessoas todos os jogos. Fanatismo enorme. Financeiramente o clube está saudável, tem uma estrutura nova, com profissionais incríveis também.

Se vê totalmente encaixado no time do Flamengo?

Hoje acho que sim. Mas nos primeiros jogos eu estava um pouco confuso pela maneira de jogo do mister. Acabei sofrendo um pouco. Mas também pela questão física, por estarmos voltando das férias e sem ritmo. Só tivemos uma semana para trabalhar, e isso prejudica. Mas hoje estou muito mais adaptado.

Eu tinha muitas dúvidas sobre essa linha de 4 que ele exige. Nossa linha é sempre muito alta, é preciso estar atento ao companheiro, ao espaço dado ao atacante para fazer o “facão”. Fui perguntando, tirando dúvidas… aí ele foi corrigindo. Agora tenho uma visão mais ampla.

No Santos eu jogava com uma linha mais atrás, mas agora já comecei a entender. Estou gostando muito.

Você se sente privilegiado?

Sem dúvida. Meu futebol melhorou muito, tanto taticamente quanto de força, explosão. É outro tipo de método. Me sinto privilegiado de poder trabalhar com os dois e evoluir.

Como está a adaptação ao Rio de Janeiro? A família já está instalada?

Neste início focamos em procurar casa, carro, escola das crianças… Saí para jantar. Estou gostando muito do Rio. Eu morava em apartamento e tinha o sonho de morar em uma casa de condomínio. Eu realizei. Estou muito feliz.

O Junior Barranquilla tem o Borja, que já foi seu adversário nos duelos Santos x Palmeiras. Como é marcá-lo?

É bastante rápido, qualificado. Tive algumas situações difíceis para marcá-lo, mas acho que me saí bem. É preciso estar muito concentrado.

Você ficou 13 anos no Santos, mas tem um passado rubro-negro, certo? Como é essa história?

Eu nasci em São Paulo, e com três anos fui morar em Salvador com meus pais. Aos sete anos, comecei na base do Vitória. Com 13 anos, fui para o Santos e lá construí minha carreira. Mas dos sete aos 13 eu vesti rubro-negro. Foi bem. Coloquei a camisa do Flamengo e me senti em casa.

Suas tatuagens têm algum significado especial?

Essa (no antebraço) sou eu com meu filho. Tenho também um leão, que representa a força que busco no meu dia a dia. Deixei um espaço reservado para fazer uma para minha filha, que está com oito meses. Com certeza todas as tatuagens têm um significado muito importante para mim.

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